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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Aquário


 
Estando nós convictos de que o Som tanto pode ser construtor como destruidor, tanto pode ser curativo como gerar desarmonia,[3] procuramos compositores e músicas que a humanidade tem fixado na sua caminhada e que, comprovadamente, são benéficas ao espírito. Poder-se-á perguntar se isto é uma atitude uraniana, aberta. É certo que aventura e experimentação são tónicas uranianas. Doutro modo, é muito difícil analisar a música que é verdadeiramente nova e adoptá-la imediatamente, a menos que essa música seja inspirada a partir dos planos superiores por um verdadeiro mestre, para fins específicos, e sintonizada por um grupo de um mesmo raio vibratório. Sabemos que determinadas escolas esotéricas sempre utilizaram músicas (hinos) apropriadas a certos cerimoniais e futuramente, dum modo mais perfeito, isso virá a acontecer. Portanto, há que distinguir músicas para fins específicos (esotéricos, terapêuticos e outros) e músicas de âmbito geral para adiantamento estético e espiritual (via indirecta) da humanidade.

 Corinne Heline refere em The Cosmic Harp três imortais compositores nascidos sob o signo solar Aquário. Comecemos por Félix Mendelssohn (1809-1847), músico precoce e de brilhante memória. Enquanto Mozart é tido como um compositor aquariano-uraniano, Mendelssohn é um aquariano-saturnino. C. Heline refere que este afirmava: «Não é a nova cultura que vemos como progresso, mas apenas a tradicional, mais requintada e aperfeiçoada». Diz ainda a autora que «a sua percepção aquariana sentia o prodígio da Nova Era, mas a sua herança saturnina impediu-o de contribuir para a sua continuidade». Neste contexto, há um ponto notável (do destino?) na vida deste compositor: foi ele que, 200 anos depois, descobriu o completamente esquecido J. Sebastian Bach (passado) que, como nenhum outro, viria a influenciar a música do futuro. Sugerimos para meditação Sonho de uma Noite de Verão ou o Concerto para violino e orquestra em Mi m.

Franz Schubert (1797-1828) tinha uma «verdadeira devoção pelos seus amigos». Era um homem simples, convivente, com uma grande ternura pelos outros. As suas encantadoras melodias respaldam o aroma da pura amizade, característica aquariana. «A cor básica de Schubert é o rosa-lavanda, relacionada com o amor pela natureza, aliado a uma certa nostalgia. A sua música é uma panaceia para a estabilização das emoções pessoais». Aquário está relacionado com o mundo angélico. A imortal Avé-Maria de Schubert, certas canções para piano e canto (por exemplo Andie Musik), as suas sinfonias, são músicas maravilhosas para meditação.

W. Amadeus Mozart (1756-1791), porventura o mais genial e inovador de entre estes, escreveu uma vasta gama de obras. Este compositor é inesgotável. Não vamos abordar as relações deste génio musical com a Maçonaria Mística, nomeadamente A Flauta Mágica[4] ou a célebre Ave-Verum (Ré M), que, diz-se, foi feita com o propósito de determinado ritual. Por exemplo, concertos para harpa e orquestra, concerto para violino e orquestra em Lá Maior, excertos e andamentos do Requiem, da Missa em Ré Maior, são obras indicadas para meditação e elevação vibracional.

Deve ainda referir-se que destas e de outras obras, as escritas no TOM DE LÁ MAIOR (três sustenidos na armação de clave) têm um efeito vibratório mais pronunciado, pois que este tom é o de Aquário. Pessoas que tenham este signo no ASCENDENTE (corpo físico e etérico) beneficiam mais directamente para restauro de forças e tónus energético. Para efeitos espirituais haverá também correlação com aqueles que tenham o Sol ou mais planetas no signo, sendo que todos beneficiam, seja qual for o signo, pela universalidade da música elevada. Da vasta obra de Mozart, uma parte significativa encontra-se no TOM DE LÁ M (Aquário) e RÉ M (Balança, outro signo de AR).

 

O grande campo de acção de Aquário (avesso a fronteiras e limitações) na música, e não só, torna o presente artigo um pouco mais extenso. No entanto, não poderíamos terminar sem uma reflexão, de âmbito mais esotérico e consequentemente “futurista”, também para que possamos ir realizando a nossa epigénese, quanto mais não seja no idealismo. É digno de realce uma passagem de C. Heline no seu livro Music – The Keynote of Human Evolution (pág. 140): «Um certo tipo de música ritualística será utilizada para facilitar a remoção do carma e recuperar a memória de vidas passadas. Esta acção terá como chave a nota musical própria do coração». Poderíamos, muito sucintamente, reflectir aqui em dois pontos: O signo Leão (regente do coração) é complementar de Aquário. Logo poderíamos extrapolar que as bonitas melodias (ausentes, hoje em dia), às quais o nosso coração é tão sensível, deverão, num futuro próximo, fazer parte integrante da música aquariana, em oitavas superiores, e também pelo aparecimento de algo mais... Uma nova forma musical? Um novo instrumento electrónico (ou não)? Uma nova escala musical?

Já o dissemos no V Encontro de Fátima (2001), que nos parece ser o próximo momento decisivo para a música aquele no qual acontecer uma ou mais destas, para já, hipóteses. Para além de tudo isto, e apesar da música se encontrar, por enquanto, numa certa “indefinição aquariana”, (quanto mais não fosse por uma desconstrução do que tem dado a Época de Peixes), verifica-se todavia um fenómeno prodigioso que é o da fusão/integração, isto é: elementos, estilos e ambientes que tendem a juntar o melhor de si em algo completamente novo
 

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